Tinta
Cabernet Sauvignon
Encorpada, tânica, com notas de frutas escuras e pimentão. Pede comida de sabor forte — carne vermelha, queijo curado.
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Capítulo 01
Um rótulo de vinho parece cheio de informação decorativa, mas quase tudo ali tem função prática. Vale conhecer cinco campos.
A uva é o que mais influencia o sabor. Vinhos do Novo Mundo (Chile, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Austrália) costumam estampar a uva no rótulo. Vinhos europeus muitas vezes não fazem isso: trazem a região, e a uva fica subentendida — um Chianti é feito de Sangiovese, um Rioja é majoritariamente Tempranillo.
A região diz mais do que o país. Clima frio tende a produzir vinhos com mais acidez e menos álcool; clima quente, o contrário. Por isso um Cabernet chileno e um Cabernet francês, feitos da mesma uva, podem parecer bebidas diferentes.
A safra é o ano da colheita. Para a maior parte dos vinhos vendidos no Brasil, quanto mais recente melhor: eles foram feitos para serem bebidos jovens, não guardados.
O teor alcoólico é uma pista de corpo. Abaixo de 12,5% costuma indicar um vinho mais leve; acima de 14%, algo mais encorpado e quente na boca.
A classificação (DOC, DO, IG, AOC, DOCG) indica que o produtor seguiu as regras da denominação de origem. É um selo de procedência e método — não uma nota de qualidade.
Capítulo 02
Existem milhares de castas no mundo. Estas seis cobrem boa parte do que você encontra numa prateleira brasileira — e entender o perfil delas já elimina quase todo o chute.
Tinta
Encorpada, tânica, com notas de frutas escuras e pimentão. Pede comida de sabor forte — carne vermelha, queijo curado.
Tinta
Mais macia e redonda que a Cabernet, com taninos discretos. Boa porta de entrada para quem acha tinto “áspero”.
Tinta
Símbolo da Argentina. Frutada, de cor intensa e textura aveludada. Combina com churrasco sem esforço nenhum.
Tinta
Leve, elegante e delicada, com acidez alta. Funciona até com peixe mais gorduroso, o que quase nenhum tinto faz.
Branca
Camaleoa: fresca e cítrica quando feita em aço, cremosa e amanteigada quando passa por barrica de carvalho.
Branca
Muito aromática e ácida, com notas herbáceas e cítricas. Excelente com saladas, frutos do mar e queijo de cabra.
Capítulo 03
Servir um vinho na temperatura errada estraga um rótulo bom. Servir na certa melhora um rótulo simples. É o ajuste mais barato que existe.
| Estilo | Temperatura | Por quê |
|---|---|---|
| Espumante | 6 – 8 °C | Gelado o suficiente para manter a perlage fina e a acidez viva. |
| Branco leve e rosé | 8 – 10 °C | Frio, mas não congelado: abaixo disso o aroma some. |
| Branco encorpado | 10 – 12 °C | Um pouco menos gelado deixa a textura cremosa aparecer. |
| Tinto leve | 12 – 14 °C | Pinot Noir e Gamay ganham muito com 20 minutos na geladeira. |
| Tinto encorpado | 15 – 18 °C | “Temperatura ambiente” foi definida na Europa, não no Brasil. |
Uma regra prática que funciona no Brasil: quase todo tinto vendido aqui está quente demais quando você abre. Vinte minutos na geladeira antes de servir resolvem — e não, isso não é heresia.
Capítulo 04
“Tinto com carne, branco com peixe” acerta às vezes e erra bastante. A regra existe porque é fácil de lembrar, não porque é precisa. Três princípios explicam melhor o que acontece na boca.
Peso combina com peso. Um prato leve é atropelado por um vinho encorpado, e um prato pesado faz um vinho delicado desaparecer. Antes de pensar na cor, pense na intensidade dos dois lados.
Acidez corta gordura. Vinhos ácidos limpam o paladar depois de algo gorduroso. É por isso que espumante com fritura funciona tão bem — e por que um branco ácido acompanha feijoada melhor do que muita gente imagina.
Tanino precisa de proteína. O tanino é aquela sensação de secura no tinto. Ele se liga à gordura e à proteína da carne e suaviza. Sozinho, com um prato leve, ele fica agressivo.
Com esses três princípios, você deduz a combinação em vez de decorá-la — e acerta em pratos que nenhuma tabela de harmonização cobriria.
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Aviso
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